sexta-feira, 1 de agosto de 2008

À minha mamãe

Ela compra peças de roupa
Faz mais de mil mudas
Casaco de couro e bermuda
Pra variar...
Ela se perfuma "Ferrari Black", o falso
Ela põe espelhos, escova e chiclete na bolsa

Comprou botas novas
E as usa com meias velhas
Com brincos banhados à prata velhos
E com colares de meia idade
Mas com o anel de ouro de verdade
De um dia feliz da sua vida
Lá na Capela do Mosteiro
E a vida inteira não se desfez dele
Ainda usa all star pra trabalhar
E chapa o cabelo em casa, é mais barato
Não usa patuá, diz que é de macumba
Faz do par de óculos um aparato
Que é pra parecer mais culta
À noite vai ao culto e leva a sua bíblia em baixo do braço
Faz a lovação ao seu Deus em cima do palco
Calça a sua sandália 33 em casa, com seu pezinho de princesa
Toma um cafezinho com bolachas, deita e assiste à novela
Com a luz acesa que é pra não dormir
Mesmo assim, cochila e dorme
E o fim do capítulo
Não se sabe

camila maria, 2007

Passeio

Súbita iamgem nítida
De cena forte, relevante, cruel, intrigante
Bastante desejável
Corpo, carne, luz...
Pois foi assim que eu me pus
Pra fora de dentro
Assim sem mais, mas assim
Casta, gasta, margarida
Já nascida há anos e vivida
Tomada de calor, de acalantos florais
Quando nas beiras dos quintais
Brinquei, corri, suei...
Ainda explorei com fervor as estórias encantadas de vovô
São passadas...
Antes, meus dias
Hoje, noites minhas
Hoje vem Fastim. Me leva, me mostra
E ainda aposta em mim
E eu, ainda com paixões rebuçadas
Exalto o amor e as vozes cansadas.


camila maria, 2006

Imagens na ação

Causei a mim imaginar
O dia, quantas vezes e onde o que vier a ser será
O que vier a ser será!
Desatei a desejar o dom de conceder desejos
Pra desordem do sentidos
Um bom pedido a ser pedido!
Me peça tempo e desejo, que eu dou de monte
Que eu não sou santo
Larguei do meu desencanto, que eu não sou santo
Nem sou de monte
Segui prazeres a serem sentidos
Senti prazeres seguidos
Senti prazeres a serem seguidos
Segui prazeres, sentidos
Segui as pistas pra que a conquista fosse veloz
Não nos deixem sós!
Pode ser que a solidão nos dê revés
Pode ser que ao invés de um entendimento
Haja cá entre nós um descontentamento
Posso deixar-lhe insenta de mim, se esse é o seu desejo
Afinal, desejei o dom de conceder desejos!



camila maria/ revoredo, 2007

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Uma beleza de cidade. Salve!

As praças comentam com as plantas
Os beijinhos
Dos casais apaixonados
E sozinhos
E fazem da cidade paisagem
As folhas vermelhas enfeitam o chão
Parece que já é primavera
As folhas amarelas dão um tom de cor
Mais singelo ao chão
No meio da praça água da fonte
E ao redor da fonte
Luminosidade pra quem vem chegando
Fazer pose de cartão-postal
O frio acompanha o nascer do dia
E pela caminhada
De volta pra casa após a boemia
A cidade cheira a um amanhecer suave
Essa cidade é mesmo um beleza de cidade!


camila maria, 2007

sábado, 3 de maio de 2008

O sexo

Sexo,
Vontade que (exatamente nessa ordem) dá e passa.
Sempre passa depois que dá.

Fernanda Alves, minha Fê!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Solos secos

Seguem os solos secos, as escalas vão e vêm
E vão a cem por minuto
Longos ou curtos, aerodinâmicos
Metais carbônicos de longas expressões
Seguem as suas variações
E o efeito é a roda...
Apanham e batem e rodam o expectadores
Benfeitores ou malfeitores de longas madeixas
Que se queixam das populações intruzas:
Pregos, martelos, porcas, emos, fiúzas...
Abusam de suas vozes nobres, segundo os tais
E tal é o frenesi que a dor se aloja nos corpos nos dias seguintes
E por eles ou mais dias comentam assiduamente a emoção vivida
Será que vão lembrar dos solos?
Ou vão das rodas?
Rodas, rodas, rodas rodam
E seguem os solos secos.




camila maria / junho,2007

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ao meu papai

Papai me chegou falando:
Filha, cê vai se prejudicar...
Essas coisas que andam lhe dando pra guardar na bolsa
Você também vai querer provar
Queria poder gritar bem alto: E daí?
Deixa vir o que eu quizer pro meu corpo!
Corta essa idéia de achar que a filhinha tem que ser um objeto moral de exibicionismo
Papo torto!
As coisas o ser humano
Precisa conhecer pra depois criticar
Cada matéria tem, de fato, o seu plano
Umas fazem bem e outras, de fato, causam danos
Papai eu não vou definhar meu corpo nem cair
Nas idéias torpes que o mundo dita
As coisas ruins eu afasto das minhas idéias, do meu convívio moral e as boas eu guardo
Na marica.


Isso tudo aí tem uma melodia, mas eu ainda não sei escrever partituras, então fica só a letra mesmo.
Isso tudo aí é verdade!



camila maria, 2007